Santuário de Bom Jesus de Matosinhos

SACRO MONTE DA ARTE


Por Percival Tirapeli *

Das Minas saiu uma Bíblia de pedra-sabão, banhada em ouro, diriam poetas ao subir os mais altos degraus da arte brasileira. Nossa alma lá está peregrina e cheia de arte. Os Passos da Paixão foram frutos de mãos benditas e atrofiadas entre todos os escultores. Mulato, Antônio Francisco Lisboa ousou criar em lenho o que Deus em barro modelou: homens pecadores.

Agora na hora da morte do Filho, quem esteve ao seu lado foi um Aleijadinho, que esculpiu Jesus. E a arte se fez nesse espaço de fé e crença que consagra uma plêiade de artistas mineiros que deixaram suas obras nesse conjunto arquitetônico de representação do Sacro Monte.

O templo foi construído como ação de graças pelo cura de enfermidade de Feliciano Mendes. Natural de Guimarães, do arcebispado de Braga, norte de Portugal, implantou no Monte Maranhão a devoção ao Cristo Crucificado, também venerado em Matozinhos, de Portugal.

A devoção a Bom Jesus insere-se no ciclo da Paixão de Cristo, precisamente no culto ao Cristo Crucificado ou ao Senhor Morto. Foram os padres franciscanos os responsáveis por sua disseminação, erigindo, desde o século XIII, calvários que comporiam a ambiência mística, propícia à veneração da imagem de Jesus Crucificado.