Centro Histórico de Diamantina 

PAISAGEM LÍTICA


Chegar a Diamantina requer preparação de espírito: os caminhos que levam à cidade dos diamantes seguem traçados ainda similares aos de antigamente. O caminho de ferro não existe mais. É na Serra do Espinhaço que se oculta essa preciosidade, antigo arraial do Tijuco (1713), de isolamento estratégico, promovido pela Coroa Portuguesa devido à extração da preciosa pedra. Quanto mais áspera a trilha de chegada, por cristas serrilhadas, mais se vive esse trecho da história colonial brasileira — e assim deve ser compreendido seu tombamento como bem cultural mundial. Afinal, a saga dos mineradores encontra-se viva no estilo de vida, nos monumentos, nos caminhos dos inúmeros arraiais que constituem a microrregião mineradora de Diamantina.


As águas caudalosas dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha, onde Fernão Dias Paes Leme, em 1678, buscou prata e esmeraldas, abalizam os imensos desertos formados de quartzito e filito, de vegetação rala de gramíneas. Na paisagem lítica (de pedra), os paulistas, em 1713, encontraram ouro e diamantes no Córrego Caeté-Mirim. Seguidos por baianos, colonizadores do norte de Portugal, intendentes diretos da Coroa e negros escravos, inventaram um comportamento humano ainda hoje preservado, que transformava a vida em um processo de aventura: o garimpo que palmeia a terra. O súbito enriquecimento proporcionado pela exploração do diamante e o risco de perda desse patrimônio fizeram que a colônia transferisse o olhar do oceano para esse mar de montanhas.