Mata Atlântica – Reservas do Sudeste
MATA E CULTURA

Apesar da destruição de grande parte da Mata Atlântica original, sua influência sobre a cultura dos povos litorâneos permanece presente. Costumes como aqueles difundidos pelo alemão Hans Staden, náufrago nessa região em 1534, ainda são encontrados como o uso do jirau, tabas arejadas, vasilhas de barro e trançados. Dos relatos de Staden permanecem as lembranças das longas canoas feitas com troncos do guapuruvu, instrumento de transporte e caça, o guanandi para tirar a madeira das casas e o mangue-preto para cercar e pegar o pescado. Algumas aldeias guaranis como Ñandeva vivem ainda inseridas na mata, resistindo à perda da identidade e usando ervas medicinais antiofídicas, pinturas rituais para a cura do corpo e defumações.

Os alambiques aos pés da serra oferecem aromas e sabores etílicos dos mais variados frutos: é a cachaça que faz a alegria. As juremas são abatidas para se retirar dela o palmito, fonte de renda nessa que é considerada a região mais pobre do Estado de São Paulo. A insistência do colonizador em vencer a mata fez com que levasse consigo a escravidão do negro e do índio. Esse pecado colonial e imperial que nos persegue só pode ser aliviado pelo promissor conjunto de etnias que tão bem se miscigenaram à sombra de luxuriante paisagem. Lirismo e fé nasceram desses cruzamentos ainda hoje expressos nos cantos dos romeiros que a pé saem de Peruíbe até Iguape a orar para o Bom Jesus. Barcos floridos navegam pelo Rio Ribeira de Iguape adentrando as ondas e levando a Virgem dos Navegantes, do Livramento e o padroeiro dos pescadores: São Pedro. Nas montanhas e nos costões ainda se ouve o eco da Nau Catarineta, das pastorinhas e dos Reis do Congo, do jongo e das festas do Divino marcando a presença afro na região, herdada dos tempos coloniais.