| Ruínas Jesuítico-Guaranis de São Miguel das Missões |
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ARQUITETURA
JESUÍTICA
Um
relato de 1756, época do apogeu de São Miguel, feito pelo visconde de São
Leopoldo, José Feliciano Fernandes Pinheiro, descreve o grandioso
empreendimento jesuítico: “Jaz
colocada na chapa de uma colina, quarteada de alguns bosques, entre os
quais serpenteiam abundantes mananciais, que por fim vão confundir-se no
Rio Jacuípe, distante um quarto de légua; das abas dela se estendem
vistosas campinas. Na frente de uma grande praça quadrangular, na qual
desembocam nove ruas, via-se o templo, bem que de paredes de pedra e
barro, mas muito grossas, e branqueadas de tabatinga; era voltada para o
norte, e nela se entrava por um alpendre de cinco arcos, sustentados por
colunas de pedra branca e vermelha, rematada por uma vistosa balaustrada,
e sobre uma gradaria da mesma pedra (da qual são também os frisos,
cornijas e figuras), que coroava o frontispício, elevava-se a figura de São
Miguel, e dos lados as dos seis apóstolos; a igreja é de três naves, de
trezentos e cinqüenta palmos de comprido, e cento e vinte de largo, com
cinco altares de talha dourada, e excelentes pinturas, e ao entrar na
porta principal via-se à direita uma capela com seu altar, e pia
batismal, sendo a bacia de barro vidrado de verde, assentada sobre uma
moldura de talha dourada. A torre era também de pedra com seis sinos.
Imediata ao lado direito da capela-mor chegava-se à sacristia, daí
seguiam-se os cubículos dos padres, que eram muitos e cômodos; pegava
logo um lanço de quartos, que olhavam para um grande pátio, com
alpendrada em roda, destinados à escola de ler, de escrever, música
vocal e instrumental, dele se comunicava para outro semelhante, formado de
várias casas, em uma das quais trabalhavam vinte e quatro teares, e as
outras eram oficinas de ourives, entalhadores, pintores, uma grande
ferraria, muitos armazéns; e uma casa forte, que servia de prisão, tudo
com admirável ordem; uma espaçosa varanda, sustentada sobre colunas de
pedra lavada de vinte e cinco palmos de alto, olhava para uma horta murada
de pedra e barro, com ruas alinhadas, e plantadas de pinheiros,
laranjeiras, limoeiros, marmeleiros, pessegueiros, e outras muitas árvores
e arbustos, tanto indígenas como exóticos. Contíguo ficava um
recolhimento de viúvas e donzelas, com um só portão, e um pátio no
meio” (Pinheiro, 1982, p. 84). |