Cidade Histórica de Ouro Preto

POEMA BARROCO


Por Percival Tirapeli *


Primeiro sítio brasileiro a receber a denominação de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, Ouro Preto é a principal cidade do ciclo do ouro brasileiro. Nela nasceu o genial artista colonial das Américas, Antônio Francisco Lisboa. Abrigou, da mesma forma, o mártir da independência nacional, Joaquim José da Silva Xavier. Dois mitos brasileiros, conhecidos pela alcunha de Aleijadinho e Tiradentes, que deixaram marcas decisivas na história das artes e dos ideais políticos de nosso país. Em Ouro Preto, o espírito criador do homem pontilhou um sem-número de obras de arte, transformando-lhe em poema barroco as linhas urbanas ditadas pela paisagem caprichosa.

O tecido histórico de Ouro Preto encontra-se permeado do espírito de liberdade de representantes do movimento literário árcade brasileiro, como o poeta e ex-ouvidor Cláudio Manuel da Costa, e de homens literatos, como o também poeta e ex-ouvidor Tomás Antônio Gonzaga, autor de versos essenciais da lírica brasileira.

Cidade de aspecto ímpar, foi roteiro obrigatório de urbanistas e arquitetos modernistas (Lúcio Costa, Le Corbusier, Niemeyer), literatos e críticos (Aldous Huxley e Blaise Cendrars). Pela pujança, inspirou poetas como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, com o Romanceiro da Inconfidência, Manuel Bandeira, autor do Guia de Ouro Preto, e Mário de Andrade, com os ensaios sobre Aleijadinho. Seus heróis inconfidentes foram imortalizados na música pela suíte Vila Rica, de Heitor Villa-Lobos, e pelas cores no painel Tiradentes, de Cândido Portinari.