Área de Conservação do Pantanal

VAZANTES DE VIDAS   

Por Percival Tirapeli *

No Pantanal, explica o zoólogo Arif Cais, os rios possuem uma exuberante fauna ictiológica (peixes) com 263 espécies onde destacam-se o Dourado (Salminus maxillosus), o Pacu (Piaractus mesopotamicus), o gigantesco Jaú (Pauliceia luetkeni) com mais de 100 quilos, o Pintado (Pseudoplatistoma corruscans), o Cachara (Pseudoplatistoma fasciatum), a Piraputanga (Brycon microlepis), o Curimbatá (Prochilodus lineatus), a Arraia (Potamotrygon falkneri) a temível Piranha (Pygocentrus nattereri) e a não menos perigosa Pirambeba (Serrasalmus marginatus), principais alimentos do Jacaré (Caiman yacare). 

Das cerca de 50 espécies de répteis conhecidas, além do jacaré, é importante mencionar a gigantesca cobra Sucuri-amarela (Eunectes noctaeus), que atinge em média 6 metros de comprimento e é capaz de matar, por constrição, capivaras e jacarés; o lagarto Teiú (Tupinambis teguxim) e ainda o exótico Sinimbu ou Iguana-verde (Iguana iguana), um lagarto com mais de um metro de comprimento, com grandes aletas dorsais, recortadas e espinhosas. Merecem destaque as aves, com cerca de 650 espécies conhecidas, e que no período da vazante reúnem-se em grandes bandos fartando-se de peixes e outros animais nos corixos e baías. Perfilam entre eles milhares de Colhereiros (Ajaia ajaja) com seus inconfundíveis bicos em forma de colher e suas plumagens róseas, as Garças-brancas-grandes (Egretta alba), as Garças-brancas-pequenas (Egretta thula) e as Garças-azuis (Florida caerulea). Enquanto isto a pernalta Maria-faceira (Syrigma sibilatrix) encanta com seu penacho policrômico e canto melodioso. 

Os Socós (Tigrisoma lineatum e Nycticorax nycticorax) disputam seus peixes com as diferentes espécies de garças. As margens lamacentas das baías são disputadas pelas Curicacas (Theristicus caudatus e T. caerulescens), que juntamente com o Carão (Aramus guarauna) e os Tapicuru (Phimosus influscatus) perfuram a lama com seus longos bicos recurvados à procura de moluscos, vermes e até mesmo pequenas serpentes.

O multicolorido Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis) e o maior dos Tucanos (Ramphastus toco) sobrevoam áreas florestadas em busca de frutos ou saqueando ninhos de outras aves, roubando-lhes ovos e filhotes. No topo da cadeia ecológica estão os Gaviões, com seus bicos e garras recurvados, fortes e carniceiros, singrando os ares sobre suas infelizes presas. O maior deles é o inigualável Gavião-real (Harpia harpyja) que com seus dois metros de envergadura habita o topo das árvores mais altas. Há, ainda, o Carcará (Polyborus plancus), e o Gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis), dentre outros.

O Pantaneiro, como é chamado o homem do Pantanal, reconhece nos estridente cantos da Seriema (Cariama cristata) a chegada das grandes chuvas que inundarão o ambiente – é tempo de recolher o gado nas “cordilheiras”. O Pantanal recebe, ainda, bandos de aves migratórias provenientes do Ártico a caminho do Antártico. Quanto aos mamíferos, que somam cerca de 80 espécies, há que se assinalar a presença dos maiores carnívoros das Américas: a Onça-pintada (Panthera onca) e a Onça-parda ou Suçuarana (Puma concolor) que pelos portes avantajados constituem-se constante ameaça à criação do gado e do próprio homem, gerando mitos, medo e desconfiança. A Capivara (Hydrochoerus hidrochaeris), antes ameaçada de extinção, assim como o Jacaré, pode ser vista em enormes bandos nas baías e nas margens das estradas. Nos varjões mais protegidos vive o Cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), o maior e mais imponente cervo da América do Sul, assim como a Anta (Tapirus terrestris). Nas partes secas, bandos de Coatis (Nasua nasua) convivem com os brincalhões Macacos-pregos (Cebus apella) e os barulhentos Bugios (Alouatta caraya).