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Cursinhos pré-vestibulares alternativos crescem em São Paulo nos anos 90
Dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Educação (FE) da USP mostra que os cursos pré-vestibulares alternativos, destinados principalmente a alunos de baixa renda vindos do ensino público, se expandiram na cidade de São Paulo durante os anos 90. O estudo analisou a trajetória de 17 cursinhos que funcionaram na cidade entre 1991 e 2000, e destaca a atuação dos cursos em movimentos que reivindicam a ampliação do acesso às universidades públicas. Segundo o autor do estudo, o pedagogo João Galvão Bachetto, em 1990 existia apenas um cursinho alternativo em São Paulo, o Cursinho da Poli. "Ao longo da década de 90, houve uma grande expansão da matrícula de alunos no ensino médio, gerada pela eliminação da repetência no ensino fundamental", explica. "Este crescimento aumentou a procura pelo ensino superior, e os pré-vestibulares alternativos surgiram para atender alunos que não teriam como pagar as mensalidades dos cursinhos comerciais." O estudo mostra que os cursinhos alternativos paulistanos têm duas origens principais. "De um lado temos iniciativas surgidas no Movimento Estudantil, que servem como opção de trabalho para os universitários, como o Cursinho da Poli", relata Bacchetto. "Os cursos também foram organizados por movimentos sociais, como o Núcleo de Consciência Negra (NCN), com o objetivo de criar igualdade de condições no vestibular para setores marginalizados da sociedade." Inclusão Social Os cursinhos alternativos possuem diversas formas de seleção dos alunos, podendo usar e combinar critérios acadêmicos (aplicação de provas), econômicos (renda familiar) e sociais, como no NCN, onde 70% dos alunos selecionados são negros. Segundo a pesquisa, as mensalidades variam conforme a organização dos cursos. "Parte dos pré-vestibulares têm professores voluntários, cobrando só uma taxa simbólica para permitir o acesso de alunos de baixa renda", afirma Bacchetto. "Alguns cursos ligados aos universitários remuneram os professores e produzem o próprio material didático, por isso cobram mensalidades entre R$70,00 e R$100,00 reais." De acordo com o pedagogo, a maioria dos cursinhos alternativos em São Paulo estão localizados nas proximidades da USP, mas alguns projetos estabeleceram núcleos em bairros da periferia da cidade. "A Educafro, criada por frades franciscanos, criou salas de aula em igrejas e paróquias, chegando a manter 80 núcleos com 60 alunos cada um", observa. O pesquisador também destaca o envolvimento de igrejas, sindicatos e escolas públicas, que cedem espaços para os pré-vestibulares alternativos, e as aulas de cidadania dadas nos cursinhos. "Alguns cursos oferecem aulas de consciência negra, direitos humanos e prevenção da AIDS, além de oficinas de artes", aponta. Os cursinhos alternativos, segundo a pesquisa, desempenham um papel importante nos movimentos populares pela ampliação do acesso ao ensino superior, ao adotarem políticas de interferência no vestibular. "Cursinhos de todo o país têm entrado com ações na Justiça pedindo isenção das taxas do vestibular nas universidades públicas", afirma Bacchetto. "Algumas universidades já concedem isenções e o governo federal deixou de cobrar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) depois de várias ações judiciais de pré-vestibulares alternativos", conta. Fonte: USP |
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